Carreira: um caminho para o seu autodesenvolvimento

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Carreira? Carreira. Carreira! Sabemos que é isso mesmo, boa parte do nosso tempo estamos pensando, desenvolvendo, ampliando as condições para que possamos ‘valer’ mais. Ou seja, deixar nosso currículo atraente e valorizado.

Concordas? Na sociedade contemporânea essa é uma constante. Em nosso artigo: Pensando competências: como estão seus Gaps? discutimos um pouco sobre essa dinâmica.

Apresentamos os gaps, bem como reflexões a respeito das competências atuais e necessárias para desenvolver sua carreira. Quem o leu, percebeu que nessa mesma sociedade, a linearidade da carreira é algo remoto.

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Pode-se inclusive afirmar que as transformações e evoluções alcançaram quase todas as carreiras, se não todas. Você deve estar se perguntando: mas, isso não é novidade? Então, te convido a continuar lendo esse artigo.

Sei que não estou contando nenhuma novidade, apenas voltando ao tema. Carreira é um processo constante de construção e reconstrução consigo mesmo. Sua carreira é autodesenvolvimento.

Logo, não perca a chance de estabelecer um novo patamar para você avaliar sua carreira agora. Achou interessante? Então vamos ao cerne desse texto. Você certamente terá dicas valiosas para entender um pouco mais sobre o que é autodesenvolvimento. Mãos-a-obra!!!

INTRODUÇÃO

Carreira: um caminho para o seu autodesenvolvimento

É natural que a maioria das pessoas queiram crescer e conquistar coisas boas para as suas vidas e para vida dos seus. Pessoas com um mínimo de perspectiva tem esse padrão de comportamento.

Conquanto, mesmo havendo verdadeiro comprometimento, muitas delas ainda permanecem presas ao raciocínio defensivo e continuam jogando a culpa nos outros ou no ambiente desapercebidamente.

Não é uma boa estratégia, mas infelizmente muitos não percebem isso. E você? O que pensa a respeito desse parágrafo? Espero que você faça parte daquele grupo que não terceiriza sua carreira. Que esteja no comando da sua vida. Pessoas que estão no comando tem uma boa autoestima.

Lembre-se que uma boa parte da autoestima também está ligada a identidade profissional. Logo, desenvolver atividades associadas à sua carreira e que tem importância para o seu desenvolvimento pode colaborar decisivamente para ajustá-la, se não em um todo, mas pelos menos em parte, a sua autoestima.

O seu desempenho e o compromisso estão associados, normalmente, à busca da autorrealização. Então, pode-se compreender que a autorrealização é um fator importante para a manutenção da autoestima elevada.

Sei que parece muito ‘auto’, mas, autodesenvolvimento, autoestima e autorrealização são fundamentais para se ter uma vida saudável. Sob esse fundamento, temos que desenvolver a capacidade de capitalizar nossos conhecimentos e sabedoria para propiciar resultados e a aplicação deles.

Não esqueça que um dos maiores paradoxos do nosso tempo é aquele que indica que estamos vivendo mais, ou seja, consequentemente envelhecendo. O que indica que teremos que ‘viver’ vários ciclos em nossa carreira.

Nessa dinâmica, empregos e carreiras tradicionais são raros, a vida profissional começará depois e terminará antes; sendo que a educação terá de ser mais prolongada e talvez indefinidamente.

Essa condição nos ‘força’ a fomentar o desenvolvimento de novos conhecimentos. Ter um elevado senso de competência e de influência sobre o meio em que se encontra é um desejo de muitos. Mas, vamos partir para a construção dessa dinâmica.

CARREIRA … QUAL A FUNÇÃO?

Carreira: um caminho para o seu autodesenvolvimento

 

Nesse tópico quero apresentar algumas dimensões sobre por que as nossas carreiras nos afetam e dizem um pouco de quem somos. Lembre-se, porém, que muitas vezes, inclusive, ela tem o poder de ‘destruir’ a sua vida e dos próximos a você.

A carreira diz respeito ao curso da vida de uma pessoa, especialmente, no ambiente social e de trabalho. Mas, vamos avaliar ‘algumas funções escondidas’:

  1. Funde o objetivo e o subjetivo, estabelecido na dualidade da reflexão do ser e a carreira;
  2. Implica em status de passagem ou transição, que se referem aos estágios e temporalidade, e, também, a mudança de papéis sociais ao longo do tempo;
  3. Tem características de corporações, mas a carreira somente o indivíduo pode experienciar, mas o fazem a partir das possibilidades manifestadas contextualmente; e
  4. Vincula o indivíduo a estrutura social, visto que a carreira subentende relações experimentais entre ação social e a recursividade nas relações entre as pessoas e instituições.

Você pode estar pensando, mas o que tudo isso tem de relevante? Eu diria muito, afinal, boa parte das nossas vidas estão associadas à nossa carreira. Vou citar o meu exemplo. Veja que interessante: leciono há quase vinte anos, mais de 15.000 pessoas passaram pelas ‘minhas salas’.

Ora nas Universidades, ora nas palestras, em cursos livres ‘on line’, e em qualificações ‘in company’. Tudo isso reforça minha função de professor.

Veja que interessante, sempre que encontro pessoas que foram meus alunos nos restaurantes, shoppings e outros locais, na maioria das vezes, elas dizem: “Ô, meu professor”, ou “E aí, professor”… mas, sempre sou o ‘professor’.

Acho que isso acontece, também com você. Exemplo, quando você encontra seu médico, sempre você diz primeiro: “Doutor”. E muitos outros exemplos poderiam ser dados.

Esse contexto reforça as ‘funções escondidas’ apontadas anteriormente. Então, pensar a carreira não é tão somente ganhar dinheiro, mas sim, uma fonte de reconhecimento, de adesão, de pertencimento, dentre outras coisas mais.

O que nos remete novamente aos famosos ‘autos’ citados no começo desse artigo: autodesenvolvimento, autoestima e autorrealização.

A DINÂMICA DAS CARREIRAS HOJE

Carreira: um caminho para o seu autodesenvolvimento

Sei que agora nesse subitem você pode achar um pouco ‘chato’, mas não pule essa parte. Nessa parte, cito, com base em Bendassolli, como estão os diversos ‘modelos’ de carreira e suas dinâmicas.

Claro que a metamorfose da carreira não reconhece fronteiras. Tem-se uma hipercompetição, principalmente nos níveis hierárquicos mais altos. Isso impõe a todos uma superação ‘incessantemente’.

Na figura a seguir, apresenta-se os principais modelos emergentes de carreira que respondem às transformações pelas quais passaram o trabalho na Sociedade Contemporânea. Vamos lá!

Figura 1: Modelos emergentes de carreira
Modelo Preposição Trabalho
 

Carreira sem fronteiras

Pluralidade de contextos de trabalho; transversalidade dos vínculos com as organizações; Competências (know-why, know-how e know-whom). Campo privilegiado da ação individual; e arranjo instável de trocas mútuas entre indivíduo e organização.
Carreira protiana (A carreira está associada à vida como um negócio e à noção de movimento) Mudança como um dado de realidade; Variedade de experiências; Adaptabilidade e resiliência; e Identidade como âncora. Meio de externalização da identidade pessoal; Sequência de experiências pessoais.
Craft career (O trabalhador constrói sua carreira à sua maneira) Autonomia, criatividade, invenção e reinvenção do próprio trabalho; Sujeito e atividade como um único conjunto; Trabalho e sensemaking*.

* Trata-se do processo de arquitetar, na mente do trabalhador, o sentido de algo ainda ignoto, tencionando e constituindo o que ainda não existe, para assim, transmitir um constructo coerente e estável.

Trabalho como “fluxo”; e Modelo de organização artesanal de trabalho.
 

Carreira portfólio

Diversificação das atividades profissionais; Flexibilização das identidades pessoais; Múltiplas zonas de expertise individual. Trabalho como um elemento dentre outros do espaço de vida pessoal; Trabalho fragmentado, em tempo parcial.
 

Carreira multidirecional

Não linearidade das experiências de trabalho;

Contrato psicológico transacional; Comprometimentos múltiplos.

Trabalho como um suporte para a construção da identidade pessoal; Flexibilidade do trabalho.
 

Carreira transicional

Interdependência entre agência individual e estrutura social; Carreira como mediação entre instituições e processos de interação;

Processo de contínua construção e reinterpretação de scripts.

Trabalho-portfólio;

Desregulamentação; institucional do trabalho.

 

Carreira narrativa

Temporalidade e ação como processos narrativos; Interpretação de eventos da realidade e do self; Narrativa e projeto; Carreira entre história coletiva e história singular. Trabalho como narrativa social e pessoal; Trabalho como fato “objetivo” apresentado à interpretação (e

reinterpretação).

 

 

Carreira construcionista

Carreira como um processo de construção social e de interação; Identidade como metamorfose; Processos de negociação de significados no contexto de estruturas sociais. Trabalho como um processo discursivo;

Compartilhamento de valores e objetivos comuns.

 

Fonte: Bendassolli, P.F. In Recomposição da relação sujeito-trabalho nos modelos emergentes de carreira, 2009.

 Você, analisando a figura pode perceber que a mudança parece ser uma categoria comum a todos os modelos apresentados. Evidencia-se você como sujeito agente, bem como, um sujeito interacional.

Note que a mudança é um dado do contexto com o qual você deve lidar. A carreira é então compreendida como uma construção social, inscrita tanto nos âmbitos individual, grupal como societal e organizativo mais amplos.

Condição que coloca você como responsável, autônomo, participativo, adaptativo e empreendedor.

O SEU AUTODESENVOLVIMENTO

Agora podemos partir para as ‘dicas’ para o seu autodesenvolvimento. Aqui temos cinco dicas que devem ser consideradas no processo de aquisição de conhecimento. Então, vamos a eles:

Carreira: um caminho para o seu autodesenvolvimento

Note que nesse infográfico, reforça-se que devemos utilizar a teoria para questionarmos a nossa prática. Então, te pergunto: como está sua teoria? Ela está servindo para esse propósito?

Ou você, ainda é ‘daqueles’ que só se interessa pela ‘prática’? Chamo a sua atenção porque se nós nos concentrarmos tão somente na prática, podemos não ‘ver’ o tempo passar. Não ver as mudanças acontecerem. Não nos anteciparmos. Sermos ‘surpreendidos’ pela inovação.

Afinal, você já não ouviu pessoas dizendo algo assim: “eu sempre fiz assim e sempre deu certo”. Tenho certeza que já ouviu. E, também, certamente já viu muitas dessas pessoas ‘perderem’ seu emprego ou até fecharem as suas empresas.

Sabe porque, deixaram se levar apenas pelo ‘sabor’ do presente.  Acreditaram demais em seus olhos, esqueceram de ver o mundo através dos olhos dos outros. Pouco leram, pouco ouviram, pouco deram atenção aos sinais emitidos pelo ambiente. Quando perceberam, muita coisa tinha mudado. Não seja um deles.

PARTINDO PARA AS CONCLUSÕES

Carreira: um caminho para o seu autodesenvolvimento

Aqui nesse artigo, falamos sobre a carreira, função, dinâmica, autodesenvolvimento. Nesse contexto, obriga você e todos nós a aumentarmos o nosso capital intelectual, a gerir o conhecimento, a aprendizagem e a gestão de competências.

Com isso obteremos flexibilidade e aumentaremos nosso ‘leque’. Entender as tendências, acompanhar o volume de informações, conseguindo extrair o material necessário, estabelece um processo que permita você conquistar mercado e ao mesmo tempo manter a integridade.

Sei que isso gera um mundo de inquietações, as vezes, muito estresse e dúvidas. É natural, todos nós passamos por esses momentos.

Contudo, todos os indivíduos se constituem no olhar do outro. Mas lembre-se que o sucesso ou o fracasso na carreira somente pode ser avaliado você mesmo. Freud explicava que uma pessoa saudável seria aquela que se torna capaz tanto de amar quanto de trabalhar.

Logo, é pertinente a reflexão para poder escapar da precarização e da subjugação, mesmo entendendo que a ‘construção’ da nossa carreira seja um caminho constante. Pode haver esperança? Sim, mas, cabe a cada um de nós! Somos responsáveis pelas nossas escolhas.

Sendo assim, volto a repetir, não terceirize sua carreira, tampouco, confie-a a empresa que você está atualmente ou a qualquer outra.  As empresas, são em boa parte, ‘dominadas’ pela visão de curto prazo e pela estratégia elementar de ganhos utilitaristas e financeiros. Logo, esqueça-as, esse é um conselho que lhes dou de graça.

Afinal, muitas são as pessoas, principalmente, no final das minhas palestras que vem encantadas com o que a sua empresa está fazendo por ela. E, eu sempre digo: “a tua empresa só faz isso porque você tem potencial e ela percebeu.

Caso contrário, você estaria demitida”. E, também, a lembro do seguinte: “quando ela não precisar mais de você, ela de ‘disponibilizará’ para o mercado. ”

Você pode estar pensando que eu estou sendo ‘rude’ ‘insensível’ ou até ‘grosso’ com elas. Mas, não, estou tão somente chamando a realidade. Afinal, vi muita gente boa sendo demitida pela ‘crise’ ou um ‘downsizing’ qualquer.

Então, chamo sua atenção: a carreira é sua, aproveite a ‘estadia’ na empresa que você está agora para aprender e gerar ‘autoridade’ para seu currículo. Conquanto, não se esqueça: aqui, existe um mundo em ebulição, e você deve estar atento, cuidando da sua carreira.

Você já tinha pensado dessa forma? Você pode fazer uma reflexão sobre o estágio atual da sua carreira. Abandone a procrastinação (empurrar com a barriga, deixar para amanhã), afinal, se você tem esse hábito pode se prejudicar.

Esqueça a sua empresa atual, você só tem o emprego, e, enquanto ela quiser. Abandone as receitas fáceis que transformam tudo em algo simplório. O líder ‘Gestor de si’ tem a obrigação de saber construir o seu processo de liderança.

Vencer é uma questão de conhecimento e atitude empreendedora. Construa o caminho, eles te seguirão. Sucesso!!!