O egoísmo adequado: uma lição a ser aprendida por todo líder

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Egoísmo. Egoístas. Atos de egoísmos. Parece algo muito ruim? Sim, certamente é péssimo conviver com pessoas egoístas. O egoísmo, em seu nível extremo, indica que o individualismo tomou conta do sujeito e ele sempre será mais importante do que todos e tudo.

Mas, é importante você perceber que existe um ‘tipo’ de egoísmo que pode ser positivo. Isso mesmo, o egoísmo adequado. Charles Handy, em 1999, alertou-nos em seu livro, ‘Além do capitalismo’. Nesse livro, o autor, nos apresenta algumas boas dicas para se adotar o egoísmo adequado.

Mas, antes, me permita lembrá-lo sobre o nosso artigo PENSANDO AS COMPETÊNCIAS: COMO ESTÃO OS SEUS GAPs? Nele discutíamos os possíveis GAPs das competências, lembra? Pensar acerca das nossas competências envolve, também, outras pessoas.

Fato que indica que o egoísmo adequado pode ser uma boa forma de avançar. Mesmo que possamos imaginar tratar-se de uma decisão individual, sim, para avançarmos precisamos do coletivo.

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E aí, o que você acha? Que tal, saber um pouco mais sobre o fenômeno? Vamos lá! Handy, chama de egoísmo adequado, a reinterpretação do autointeresse. O autointeresse comanda nossas escolhas, afinal, a teoria diz que fazendo mais para si, o sujeito estará fazendo também pelo coletivo.

Parece interessante que ao mesmo tempo então posso buscar o que me interessa, contudo, visando atender também as necessidades de outros. Como assim, você pode estar pensando?

Vamos a um exemplo, se um professor decide fazer um doutorado ele estará buscando seu autointeresse, não é mesmo? Mas, veja, se ele ampliar seus conhecimentos pode sim ajudar, também, os seus futuros alunos.

Conclusão, a vida é uma oportunidade de tirar o melhor proveito de nós mesmos. Interessante o tema? Você já se pegou nessa dinâmica? Aposto que sim. Então, continue lendo esse artigo, nele há uma série de dicas que podem fazê-lo refletir. Espero que essa reflexão te ajude a reposicionar sua carreira.

INTRODUÇÃO

O egoísmo adequado: uma lição a ser aprendida por todo líder

A busca pelo seu autointeresse está ancorada, segundo definições de Kinsman (1999), associados a três tipos psicológicos:

  1. Movido pelo sustento: o que interessa a essas pessoas é o sustento, tanto financeira como social;
  2. Direcionado para fora: trata-se de pessoas realizadoras que procuram estima e status como símbolos da vida; e
  3. Direcionado para dentro: a força propulsora é expressar seus talentos e crenças cujos valores estão baseados em autorrealização e qualidade de vida.

E você, em qual desses tipos se enquadra? Mas, antes de responder, cabe explicar que de uma certa forma, a Sociedade Contemporânea é, também, conhecida como a sociedade do individualismo.

No cerne desta análise, o avanço do individualismo evidencia: há o ‘vazio como eco’. O que permanece é o êxtase que não possui outro sentido, se não, sair de si, desesperados para minar a gratuidade, a vacância, a dor, a despossessão e a glória do desperdício.

Contudo, mesmo no asselvajamento dessa existência, nada mais concreto do que a vida de todo dia. Essa concretude da vida nos sinaliza que escolher é parte das nossas vidas. Contudo, o que parece lógico não se materializa para muitos. Visto que, muitos não escolhem, tampouco decidem.

A Contemporaneidade então gera esse mal-estar que revela três manifestações básicas (Freitas, 1998):

  1. O narcisismo das pequenas diferenças;
  2. O novo individualismo (idealização do sucesso pecuniário); e
  3. Uma geração de intermináveis adolescentes.

Logo, viver esse mundo, requer uma análise, quase que diária, para escapar dessas formas de ‘individualismo’. Então, voltando a minha pergunta, não é fácil conseguir responder a qual tipo você pertence, afinal, esse é um mundo cheio de apostas no individualismo.

Pense, então, em lutar ‘contra a maré’ do individualismo. Parta para uma posição em que você possa, baseado no egoísmo adequado, chegar a um meio termo que promulgue seus interesses, contudo, sem ‘passar’ por cima de tudo e de todos.

Sei que você pode estar pensando, mas isso é possível? Cotidianamente, tem-se amostras de individualismo aos ‘montes’, pode você estar pensando. Mas, calma! Vamos construir um caminho.

COMO SE CHEGA AO EGOÍSMO ADEQUADO?

O egoísmo adequado: uma lição a ser aprendida por todo líder

Você pode estar imaginando como se chega a tal ponto?

Primeiramente, ‘lute’ bravamente para não entrar na onda do consumo pelo consumo. Isso mesmo, tem muita gente boa por aí que se diz cheia de boas intenções, contudo, vive consumindo o que precisa e o que não precisa.

Quer exemplos, de vez em quando, você não encontra um artista bacana defendendo o meio ambiente? Dias depois, aparece o (a) ‘bonito(a)’ ‘mostrando’ a sua casa de 1.500 metros quadrados, mais a sua coleção de sapatos e roupas que dariam para servir a pelo menos trinta pessoas?

Sei que você pode estar pensando, mas o dinheiro é dele, sim, claro que sim, mas veja ele professa um discurso e pratica outro.

Segundo, pense se outras pessoas próximas a você podem se beneficiar (veja, não se aproveitar) das suas escolhas.

Terceiro, veja se as suas escolhas não prejudicam intencionalmente os outros.

Basta isso apenas? Não, mas essa reflexão ajuda consideravelmente. Na sequência, pode-se com base em Handy (1999) ainda ponderar:

  • A descoberta de si mesmo é mais importante do que a descoberta do mundo: como saber sobre o mundo, sem antes, conhecer-se. Isso se faz necessário, afinal, você sabe que é necessário construí uma crença em nossa competência.

Conquanto, para você se conhecer é fundamental ter autoconfiança, habilidades ‘vendáveis’ e sociais de alto nível. Pode-se afirmar que o ponto de partida para o processo de mudança pessoal é o autoconhecimento.

Todavia para que isso seja possível, o indivíduo deve apresentar uma boa carga de proatividade. Os Indivíduos que conseguem viver uma vida razoavelmente normal nos diversos ambientes, tendem a possuir o domínio sobre si mesmos, bem como sobre as variáveis e circunstâncias que as cercam;

  • Todo mundo é bom em alguma coisa: isso mesmo, basta que possamos ‘descobrir’ o que sabemos fazer bem feito, e que os outros valorizam.

Gardner preconizava as seguintes inteligências: factual (uma facilidade enciclopédica do sabe-tudo); analítica (habilidade de raciocinar e conceituar); numérica (à vontade com os números); espacial (habilidade de enxergar padrões nas coisas); atlética (capacidade para ‘pensar’ no esporte); intuitiva (aptidão para sentir e ver aquilo que não é óbvio); emocional (autoconscientização e autocontrole, persistência, zelo e automotivação); prática (reconhecer o que precisa ser feito e fazê-lo); interpessoal (habilidade para lidar com as pessoas); e musical (capacidade de ‘ler’ a música);

  • A vida é uma maratona: você tem que apostar sempre no longo prazo;
  • Somos ensinados duramente que precisamos ter respostas para todas as questões, esperam de nós ‘respostas certas’. Veja que o fato somente ajuda a atrapalhar ainda mais o seu desenvolvimento.

Saber ‘o quê’ não é tão importante quanto saber ‘onde’, ‘como’ e ‘por quê’: o conhecimento tem validade curta, a menos que seja usado ‘diariamente’. Caso contrário, esquecemos;

  • A vida é uma viagem que começa em casa: não há possibilidades de se ‘aprender’ tudo longe de casa. A casa é o local em que começamos a ‘construir’ o processo de descobrimento; e
  • O aprendizado é uma experiência compreendida na tranquilidade: aprendemos ao refletir com base nos acontecimentos.

E você, conseguiu pensar em qual nível você está? Como você pode potencializar suas possibilidades para aprender ainda mais.

CONCLUINDO

O egoísmo adequado: uma lição a ser aprendida por todo líder

Pode-se avaliar a Sociedade Contemporânea também pode ser entendida como a Sociedade do Conhecimento. Nessa condição, muitos podem pensar que o conhecimento está ‘democratizado’.

Penso que não, ele está muito mais segregador.  O que temos em grande monta são informações. Essas sim estão aos borbotões por aí. Sendo assim, boas formas de ‘aprender’ a ser um ‘egoísta adequado’ passam por você fazer escolhas, tais como:

  1. Selecione os conteúdos de acordo com os seus propósitos pessoais e profissionais;
  2. Busque conhecimentos que envolvam o pensamento lógico e analítico;
  3. Os conteúdos devem ‘ensiná-lo’ a pensar;
  4. Os conhecimentos adquiridos precisam ‘gerar’ produtos, ou seja, ampliar teu currículo;
  5. Ensine tudo que você aprendeu. Ensinando, você aprenderá ainda mais;
  6. Os conhecimentos adquiridos devem gerar a você ‘autoridade’. Você tem que passar a ser reconhecido como um sujeito que conhece tais assuntos, uma referência;
  7. Seus ‘novos’ conhecimentos devem servir também aos outros; e

Voltando a Handy e ao egoísmo adequado, revela-se que as pessoas ‘decentes’ sabem que são feitas de bondade e um pouco de maldade. Contudo controlar a maldade é determinante. Para isso, necessita-se engendrar ações baseadas no princípio de que se pode confiar nas pessoas.

Em todas? Diria que em sua grande maioria.  Para você medir se o seu ‘egoísmo’ está em um nível adequado, esteja atento também a uma questão: você é muito procurado(a) pelos outros?

Caso a resposta seja sim, então, você consegue utilizar seus conhecimentos e suas práticas para além de si. Tal condição, te valoriza e gera autoridade. Gostou, e aí, como está o seu ‘egoísmo’?

Adequado ou não? Mas, e você, o que achou disso tudo? Bem, aí, a decisão a ser tomada é sua. Pense em longo prazo. Mãos-a-obra, em um mundo individualista, todo o cuidado é pouco.

Tenha propósitos, persiga sonhos, contudo, não se esqueça que ninguém pode chegar ao sucesso sozinho. Pratique. Tenha Sucesso, mas viva também!!!